Rabino Yitschak Lichtenstein


Rabino Yitschak Lichtenstein

 

 

Nascimento: Hungria, 1824.
Morte: Budapeste, Hungria, 16 de outubro de 1909.
S’michá (Ordenação Rabínica): 20 anos, rabino distrital
de Tapiószele, Hungria.


Biografia por Henry Einspruch, com notas
autobiográficas.


Ele ainda não tinha completado vinte anos quando se tornou rabino, e depois de oficiar por muito tempo em diferentes comunidades ao norte da Hungria, Yitschak Lichtenstein finalmente se estabeleceu como rabino distrital de Tapiószele. Ele permaneceu ali por quase quarenta anos, trabalhando incessante e altruisticamente em prol de seu povo.

No início de seu ministério, um professor judeu da escola pública de seu distrito mostrou-lhe, casualmente, uma Bíblia alemã. Ao folhear o livro, seus olhos depararam-se com o nome “Jesu Christi”. Ele ficou tão furioso que repreendeu o professor, veementemente, por ter algo desse tipo em sua posse. Depois, arremessou o livro para o outro lado da sala, o qual caiu em uma prateleira onde, empoeirado e esquecido, permaneceu por mais de trinta anos.

Por volta daquele período, uma onda implacável de antissemitismo atingiu a Hungria, culminando no, agora histórico, “Caso Tiszaeszlar”. Naquela pequena e pitoresca cidade húngara, situada no Tisza, doze judeus e uma judia foram lançados na prisão, acusados de terem matado uma garota cristã com o intuito de usar o seu sangue para fins rituais — sendo que a parte mais trágica do caso foi o fato de um menino judeu, que fora tirado de seus pais pelo comissário de polícia, ter sido forçado, mediante ameaças e crueldades, a apresentar-se como testemunha principal contra o próprio pai (assistente da sinagoga) e a contar uma história inventada, circunstancial, sobre a garota supostamente assassinada.

Como em todos os outros casos em que essa denúncia diabólica era feita contra os judeus de Tiszaeszlar, a acusação de sangue, em última análise, provava-se falsa e infundada. Vale a pena lembrar que, naquela ocasião, muitos cristãos verdadeiros, dentre os quais se destaca o Dr. Franz Delitzsch, da Universidade de Leipzig, levantaram-se não apenas para defender os judeus, mas também para desmascarar todos os que, através de seus atos, escandalizavam Yeshua aos olhos da comunidade judaica.

O estado mental do rabino Lichtenstein, durante esse período, é melhor revelado em seu Judenspiegel (Espelho Judaico):

“‘Muito me afligiram desde minha juventude — podes declará-lo, ó Yisrael!’ (Salmos 129:1). Não é preciso uma longa explicação para mostrar que, nessas poucas palavras, o salmista resume as amargas experiências e aflições que nós, ao menos a geração mais velha, temos sofrido desde a juventude até agora pelas populações cristãs ao nosso redor.

Zombaria, escárnio, violência e toda sorte de humilhação têm sido a nossa porção até mesmo pelas mãos de crianças cristãs. Eu ainda me lembro das pedras que eram atiradas contra nós enquanto saíamos da sinagoga, e como, durante os banhos no rio, éramos obrigados a assistir, impotentes, as nossas roupas serem lançadas na água ao som de risos e deboche.

Certa vez, com choro e grande pesar, vi meu ser derrubado ao chão, sem a menor hesitação, por um assim chamado “nobre”, apenas porque ele não lhe cedeu espaço, rápido o bastante, em um caminho estreito. Mas sabemos muito bem que essas tristes experiências não são facilmente esquecidas; quisera Deus que tamanha perseguição contra os judeus, por parte dos cristãos, não passasse de uma vírgula insignificante em um longínquo passado!

Conforme as impressões da tenra idade se aprofundam — e mesmo durante o ápice de minha vida, eu não tinha motivos para mudar essas percepções —, não é de admirar que eu cheguei a considerar o próprio Yeshua como a praga e a maldição dos judeus; a origem e o promotor de nossas angústias e perseguições.

Os anos se passaram, e tornei-me adulto, abraçando e nutrindo tal convicção até à velhice. Eu não fazia ideia sobre a diferença entre a verdadeira fé Messiânica e o Cristianismo meramente nominal; eu não sabia nada a respeito de Yeshua, o Messias. Por mais estranho que pareça, foi a terrível acusação de sangue, em Tiszaeszlar, que me levou a estudar a Nova Aliança pela primeira vez. Aquele julgamento trouxe à luz, diretamente de seus esconderijos, todos os nossos inimigos, e mais uma vez, o clamor ecoou como nos tempos de outrora: ‘Morte ao judeu!’ O frenesi foi excessivo, e entre os principais líderes, encontravam-se muitos que usavam o nome de Jesus e sua doutrina como um subterfúgio para encobrir os seus próprios feitos abomináveis.

Essas práticas ímpias de homens que vestiam o nome de Jesus apenas para promover seus intentos malignos despertaram a indignação de alguns cristãos verdadeiros, os quais, com canetas de fogo e vozes de advertência, denunciaram a cólera falaciosa dos antissemitas. Nos artigos escritos por tais homens, em defesa dos judeus, deparei-me muitas vezes com passagens em que o Messias era descrito como aquele que traz alegria aos homens — o Príncipe da Paz, o Redentor —, cujas boas novas são enaltecidas como uma mensagem de vida e amor para todas as pessoas. Fiquei surpreso e mal pude acreditar em meus olhos quando avistei, em um canto escondido, a Nova Aliança que, trinta e poucos anos antes, eu havia tirado, com grande indignação, de um professor judeu. Como posso expressar a sensação que tive ao virar aquelas páginas e ler o seu conteúdo?

Não haviam me contato nem mesmo a metade sobre a grandeza, poder e glória desse Livro; um livro anteriormente proibido para mim. Tudo parecia tão novo, e no entanto, tão familiar; como a visão de um velho amigo que tirou suas roupas empoeiradas e desgastadas para usar trajes festivos, como um noivo em vestes nupciais ou uma noiva adornada com joias”.

Por dois ou três anos, o rabino Lichtenstein manteve suas convicções trancadas em seu coração. O que ele fez, porém, foi ensinar à sinagoga algumas doutrinas novas e estranhas que despertaram tanto o interesse quanto o espanto de seus ouvintes. Por fim, ele não conseguiu mais se conter. Em determinado Shabat, durante o sermão, ele discorreu sobre a parábola dos sepulcros caiados, dizendo, abertamente, ter extraído o assunto da Nova Aliança. Em seguida, apresentou Yeshua como o verdadeiro Messias e Redentor de Yisrael. Com o passar do tempo, ele incorporou suas ideias em três materiais publicados consecutivamente, os quais tiveram grande repercussão entre os judeus não apenas da Hungria, mas de todo o continente europeu — o que não é de admirar, já que se tratava de um rabino maduro e respeitado, ainda no ofício, conclamando seu povo, com palavras calorosas, a abraçar a bandeira do há muito desprezado Yeshua de Natséret1, recebendo-o como seu verdadeiro Messias e Rei.

Inevitavelmente, tão logo a liderança da comunidade judaica compreendeu as implicações da posição e dos escritos de Lichtenstein, rios de perseguição irromperam contra ele. Desde os púlpitos sinagogais até a imprensa judaica, a acusação de apostasia era-lhe constantemente imputada, e aquele que, poucas semanas antes, era contado entre os líderes e mestres mais nobres, agora, era apresentado como uma desgraça e uma vergonha à nação; tudo porque ousou pronunciar o odiado nome de Yeshua.

Foi espalhado um boato difamatório de que ele se vendera aos missionários. Alguns até mesmo alegaram que ele nunca chegou a escrever os panfletos, mas que, na verdade, foi subornado a assiná-los com o próprio nome. Ele teve de comparecer, mediante intimação, à assembleia do rabinato em Budapeste. Ao adentrar o salão, ele foi saudado com as palavras: “Retrate-se! Retrate-se!”. “Senhores,” — disse o rabino — “eu certamente me retratarei se vocês me convencerem de que estou errado”.

O grão-rabino Kohn propôs um acordo. Lichtenstein poderia acreditar no que quisesse, em seu coração, desde que parasse de ensinar sobre Yeshua. Quanto àqueles panfletos horríveis que ele já escrevera, os danos poderiam ser reparados de forma bastante simples. O Sínodo dos rabinos elaboraria um documento para explicar que Lichtenstein agira em um breve momento de insanidade. Tudo o que ele precisaria fazer seria assinar a declaração. O rabino Lichtenstein respondeu, calmamente — embora indignado —, que a proposta era muito estranha, uma vez que ele gozava de suas plenas faculdades mentais. Sendo assim, os rabinos exigiram que ele renunciasse ao seu cargo e se convertesse ao Cristianismo, formalmente, por meio do batismo. Mas ele replicou, dizendo que não tinha o menor interesse em se juntar a uma igreja, pois encontrara o verdadeiro Judaísmo na Nova Aliança, e queria permanecer com a sua congregação, como antes, ensinando-a na sinagoga.

E ele o fez, apesar das muitas perseguições e difamações que sofreu. Em sua posição oficial como rabino distrital, ele continuou ensinando a Nova Aliança. Essa era uma prova comovente de seu grande apego à comunidade local, que era a única detentora de plenos poderes para solicitar a sua exoneração. Aliás, muita pressão foi feita contra eles, de modo que alguns membros da congregação e os parentes de sua esposa foram completamente arruinados por boicotes comerciais, e ainda assim, permaneceram fieis a ele.

A essa altura, o rabino Lichtenstein e seus escritos haviam-se tornado amplamente conhecidos, e muitas organizações cristãs procuravam os seus serviços. O Papado, por sua vez, logo percebeu a importância do homem, de modo que um emissário especial, enviado pelo Papa, foi a Tapiószele com ofertas tentadoras para que, se possível, ele se entregasse ao serviço de Roma. Sua resposta era a mesma para todos:

“Permanecerei entre o meu próprio povo. Amo o Messias e creio na Nova Aliança, mas não tenho a menor vontade de me juntar à Cristandade. Assim como o profeta Yirmeyá, após a destruição de Yerushaláyim — a despeito das generosas ofertas de Nevuchadnetsár2 e do capitão de sua hoste —, escolheu permanecer e lamentar entre as ruínas da Cidade Santa, junto com o remanescente de seus irmãos, assim também permanecerei entre os meus próprios irmãos, como um sentinela do lado de dentro, implorando-lhes que contemplem Yeshua, a verdadeira glória de Yisrael”.

Por fim, depois de perder tudo na tentativa de socorrer alguns dos membros de sua congregação, e com a saúde muito debilitada em decorrência das inúmeras angústias e provações (como resultado de sua ousada defesa pela verdade), ele renunciou, voluntariamente, ao seu cargo de rabino distrital.

Ele estabeleceu-se em Budapeste, onde achou amplo escopo para os seus talentos. A oposição, entretanto, foi implacável: Ele era seguido e até mesmo fisicamente agredido na rua. Seu barbeiro foi subornado por cinquenta Kronen (coroas austro-húngaras) para desfigurar a sua linda barba. Seu senhorio vigiava meticulosamente todos os que o visitavam, reportando para as autoridades rabínicas.

Por outro lado, ele era constantemente entrevistado e abordado por judeus de todo tipo. “A sabedoria eleva em plena rua a sua voz, e grita suas palavras pelas praças (Provérbios 1:20)”, escreveu certa vez a David Baron, seu amigo.

“Médicos, professores e oficiais, bem como mulheres instruídas, vêm à minha casa. Muitas famílias influentes também nos visitam, as quais repudiam a conduta severa do rabinato local em relação a mim. Muitos estrangeiros também me visitam. Frequentemente, tenho discussões sérias e profundas com talmudistas e rabinos vindos de longe, os quais desejam restaurar-me ao meu bom senso. Mas vale a pena mencionar que muitos deles, desprovidos de qualquer conhecimento sobre a Nova Aliança, logo depois de me encararem, inexpressiva e incredulamente, enquanto eu cito seus sublimes ensinamentos, imploram que eu lhes forneça uma cópia”.

Por mais de vinte anos, o rabino Lichtenstein testemunhou, em diversas partes do continente, a verdade acerca de Yeshua, o Messias. Em determinado momento, as tempestades de controvérsia, desentendimento e antagonismo começaram a pesar sobre ele. Seu espírito, contudo, permaneceu inabalável. Por volta daquela época, ele escreveu:

“Queridos irmãos judeus, eu fui jovem, e agora sou velho. Atingi a idade de oitenta anos, da qual o salmista fala como sendo o ápice da vida humana sobre a Terra. Enquanto outros da minha idade estão colhendo os frutos de seu trabalho, eu estou sozinho, quase abandonado, porquanto ergui a voz em advertência: ‘Retorna, ó Yisrael, ao Eterno, teu Deus, porque tua iniquidade provocou todos esses tropeços! Busca [estas] palavras sinceras e com elas retorna ao Eterno’ (Oseias 14:2-3a). ‘[Beijai o Filho,] para que Ele não liberte Sua ira e vosso caminho conduza ao abismo’ (Salmos 2:12).

Eu, um honrado rabino por quarenta anos, sou tratado agora, na minha velhice, por meus amigos, como alguém possuído por um espírito maligno, e por meus inimigos, como um desertor. Tornei-me um alvo de zombadores que apontam o dedo para mim. Mas enquanto eu viver, ‘Escalarei meu posto de vigília’ (Habacuque 2:1) — ainda que eu permaneça ali completamente sozinho. Ouvirei as palavras de Deus, e esperarei pelo dia em que Ele retornará a Sião, com misericórdia, e Yisrael encherá o mundo com seu jubiloso clamor: ‘Hoshá-Na ao Filho de David. Bendito é o que vem em nome do Eterno! Hoshá-Na nas alturas!’ (Mateus 21:9)”.

De forma bem repentina, ele adoeceu e não resistiu por muito tempo. Ao perceber que o seu fim estava próximo, dirigiu-se à sua esposa e à enfermeira:

“Deem os meus sinceros agradecimentos e saudações aos meus irmãos e amigos. Boa noite, meus filhos. Boa noite, meus inimigos; vocês já não podem mais me ferir. Há um só Deus e Pai de todos os que são chamados filhos no céu e na terra, e um só Messias, que deu a sua vida na árvore maldita para a salvação dos homens. Eu Tuas mãos, confio o meu espírito!”.

O dia foi sombrio: eram oito horas da manhã de uma sexta-feira, dia 16 de outubro de 1909, quando o venerável rabino partiu para a presença do Eterno.


Excertos de Cartas Pessoais (Do Rabino Lichtenstein para o seu filho Dr. Emmanuel Lichtenstein)

“Por Sua divina providência, chegou às minhas mãos, acidentalmente, uma Nova Aliança que, por muitos anos, eu deixara intocada no canto de uma estante. Em cada linha, em cada palavra, o espírito judaico fluía: luz, vida, poder, perseverança, fé, esperança, amor, santidade; fé ilimitada e indestrutível em Deus; da bondade à prodigalidade; da moderação à renúncia própria; do contentamento à exclusão de qualquer senso de necessidade; compaixão, gentileza, consideração pelo próximo e amor incondicional: tudo isso permeava o livro.

Cada princípio nobre, cada ensinamento de pureza e moral; todas as virtudes patriarcais com as quais Yisrael foi adornado em seu auge — e ainda o é, até certo ponto, como herdeiro da comunidade de Yaakov —, eu encontrei neste livro dos livros, refinados e simplificados, contendo bálsamo para cada aflição da alma, conforto para cada angústia, cura para cada dano moral; renovação de fé e ressurreição para uma nova vida que agrada a Deus.

Eu pensava que a Nova Aliança era de todo impura; uma fonte de arrogância, de egoísmo, de ódio e do pior tipo de violência. Mas assim que comecei a leitura, fui tomado por um sentimento peculiar de familiaridade e de admiração. Uma glória repentina… uma luz resplandeceu minha alma. Estava procurando por espinhos, mas encontrei rosas; descobri pérolas em vez de cascalhos; no lugar de ódio, amor; no lugar de vingança, perdão; em vez de opressão, libertação; em vez de arrogância, humildade; conciliação, não inimizade. Em vez de morte, vida, salvação, ressurreição e tesouros celestiais.

O povo judeu está doente há dois mil anos; em vão, busca a cura e a ajuda de médicos; em vão, gasta todos os seus recursos. Apenas mediante a fé em Yeshua, através do poder que emana do Messias, ele pode encontrar a cura. Que ele contemple Yeshua em sua glória celestial, em sua divindade, exaltado e grande como a eternidade; o Redentor, o Messias, o Príncipe da Paz.

Eu disse: ‘Os dias ensinam a falar e a multiplicação dos anos devem ensinar a sabedoria. Mas há um espírito em cada ser humano, e é o alento do Todo-Poderoso que lhe proporciona o entendimento’ (Jó 32:7-8).

Quando o Sanhedrin3 e os sacerdotes, em Yerushaláyim, quiseram silenciar Shimon Kefa e os Emissários, um fariseu chamado Gamli’el, muito estimado por todo o povo, levantou-se e disse: ‘Deixem esses homens e soltem-nos. Se essa ideia ou movimento tiver origem humana, fracassará. Mas, caso proceda de Deus, não serão capazes de impedi-los; vocês se acharão lutando contra Deus!’ (Atos 5:38-39). Aquela obra provinha do Eterno, pois não pereceu com o passar do tempo. O fogo santo não foi suprimido nem tampouco extinguido pelas muitas tempestades que sobrevieram contra ele; antes, intensificou-se ainda mais, e passados dezoito séculos, ele continua brilhando, mais forte e mais límpido, cheio dos mais enobrecedores pensamentos, estendendo, continuamente, o seu domínio através dos tempos.

As Boas Novas do Messias ultrapassaram Alexandre, que parou às margens do Indo; ultrapassaram Crasso, que parou às margens do Eufrates; ultrapassaram Varo, que parou às margens do Reno; ultrapassaram todos os conquistadores, e só pararão quando alcançarem todo o Yisrael.

‘Nasce o Sol, depois se põe, e se apressa a voltar ao lugar onde de novo virá a nascer. Segue para o sul e chega em círculo até o norte; o vento (por sua vez) gira em círculos e retorna ao lugar de onde partiu’ (Eclesiastes 1:5-6)”.


Trecho de uma Entrevista Pessoal Publicada

“Eu nunca conheci o Eterno até conhecer o Messias. Deus, para mim, era apenas um juiz severo. Agora, no Messias, eu O conheço como um Pai inexprimivelmente misericordioso e infinitamente amável. Através do Messias, eu lanço fora toda preocupação, como um pássaro que, depois de um mergulho no rio, sacode a água de suas asas. Meus inimigos, com escárnio, chamam-me de ‘missionário’. Mas eu lhes respondo: Sim, eu sou um ‘missionário’ no mesmo sentido que Avraham também o foi; no sentido de ter como missão guiar e auxiliar as pessoas no caminho certo. Se eu luto para conduzir pessoas à Verdade revelada em Yeshua, então, eu sou um ‘missionário’. Recentemente, um rabino escreveu-me: ‘Você nos mostrou a escada que conduz ao céu!’. Essa é a minha missão. É certo que temos dez mil promessas no firmamento da Escritura, claras como as estrelas no pináculo da noite, a fim de acender e sustentar a esperança de que os judeus virão, em grande número, ao Senhor Yeshua, o Messias, o grande e bom Médico, e de que eles tocarão a orla do seu manto, recebendo, assim, toda a cura, toda a força e toda a alegria de que necessitam para o seu magnificente propósito na terra e ministério no céu”.4


Notas

1. viz. Nazaré (נצרת).
2. viz. Nabucodonosor (נבוכדנצר).

3. viz. Sinédrio (סנהדרין).
4. O texto original inglês pode ser encontrado em http://realmessiah.org/index.php/en/testimonies.

Rabino Joseph Teichman

 

Rabino Joseph Teichman

 

Nascimento: —
Morte: junho de 1988.

Joseph Teichman nasceu e cresceu como o filho de um rabino ortodoxo na cidade de Nova York, nos EUA. Ele seguiu os passos do pai e também foi ordenado rabino ortodoxo. No entanto, diferentemente de seu pai, Joseph concluiu os estudos de doutorado em psicologia.

Quando percebeu que não conseguia mais crer na tradição rabínica, ele passou para a vertente judaica conservadora. Sua esposa, porém, recusou-se a deixar a comunidade ortodoxa. Enquanto Teichman mudou-se para a Califórnia e foi nomeado rabino da sinagoga de Fresno, ela permaneceu no Brooklin com os filhos.

Depois de um tempo, o rabino Teichman mudou-se para Reno, em Nevada, a fim de assumir o cargo de líder da sinagoga conservadora local. E uma vez que vivia no eterno país das possibilidades, ele acabou se tornando o melhor amigo do líder de uma congregação messiânica. Seu amigo, com a ajuda de outros messiânicos, mostrou-lhe que as profecias do Tanach acerca do Messias apontam para Yeshua, o que o impulsionou a investigar o assunto por si mesmo. Sua pesquisa levou-o à decisão de abraçar a fé em Yeshua como o Messias de Israel e seu Salvador pessoal.

Conforme estudava a Nova Aliança, ele crescia e se desenvolvia na fé. Às vezes, dirigia-se à congregação messiânica local, em segredo, para ouvir os estudos. Mas tirando isso, ele mantinha a fé em Yeshua para si mesmo, com muita cautela.

Certo dia, ele decidiu marcar uma reunião urgente com Moishe Rosen, fundador da organização Jews for Jesus (Judeus por Jesus), em São Francisco. A impressão era que Joseph estava sob muito estresse, pois como liderava a sinagoga em Reno, não conseguia compartilhar a sua fé em Yeshua com a congregação. Além disso, ele não tinha certeza do que deveria fazer: pedir demissão ou explicar à congregação sobre Yeshua.

O rabino confessou para Moishe Rosen que, por quase dois anos, ele vinha lutando com aquele mesmo problema, o qual começou a desgastá-lo. Na verdade, ele encontrou alívio — até certo ponto — ao confessar sua fé em Yeshua para outro judeu, tirando, assim, o peso dos ombros. Depois de alguns meses, nos quais Teichman visitou Moishe Rosen, ele começou a entender que tinha o dever de falar sobre a sua fé em Yeshua, como o Messias judeu, aos membros da sinagoga. E ele sabia qual seria o resultado: o término imediato de seu ofício e de sua carreira como rabino; algo que influenciaria não apenas o seu status pessoal, social e financeiro, mas também toda a sua família. Ciente das sanções que poderia sofrer, ele não conseguiu se abrir para os membros da sinagoga. Por causa do medo, manteve sua fé em segredo.

Questionado sobre o que fazia quando as pessoas da sinagoga o procuravam buscando conselhos espirituais, ele respondeu que era inundado por tristeza e angústia, pois sabia que o Messias era o único que poderia resolver seus problemas.

Muito embora tenha mantido sua fé em segredo, ele encontrou meios para falar de Yeshua, o Messias, às ovelhas do seu pastoreio. O rabino Joseph Teichman é um dos muitos exemplos de perseguição que os judeus messiânicos, em Israel e no mundo todo, sofrem às custas de ultra-ortodoxos fanáticos, apenas porque sua fé é diferente. Perseguições desse tipo também existem nos dias de hoje, e podem incluir violência (tanto verbal quanto física), humilhações públicas e até mesmo tentativas de homicídio — tudo isso em nome de D’us e com a aprovação de rabinos.1


Notas

1. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-יוסף-טייכמן/.

Rabino Dr. Kaufmann Kohler

 

Rabino Dr. Kaufmann Kohler

 

Nascimento: Baviera, Alemanha, 1843.
Morte: Nova York, EUA, 1926.

A conferência religiosa que foi realizada em parceria com a Feira de Chicago, em 1893, trouxe consigo representantes de religiões e credos diferentes, de diferentes partes do mundo.Entre eles, havia um grande número de rabinos da Europa e da América.

Um dos palestrantes foi o Dr. Kaufmann Kohler, o expoente do Judaísmo Reformista mais conhecido da época. Em seu discurso, cujo tema era “A Sinagoga e a Igreja”, o rabino apresentou evidências de que o Judaísmo e o Cristianismo possuem muitas semelhantes entre si. Vejamos, a seguir, um trecho de seu discurso no que tange à personalidade de Yeshua:

“Os rabinos cometem um grave erro quando comparam Yeshua de Natséret1 a Rabí Hilel ou a Fílon, o proeminente filósofo judeu de Alexandria. Yeshua não pertencia a nenhuma vertente; ele era ‘um do povo’. Nele, o ideal dos rabinos essênios2 sobre amor e irmandade atingiram um novo patamar.

Assim como Yochanan, o Imersor3,  Yeshua sentia-se atraído, pelo poder do amor divino, aos menos afortunados dentre o seu povo. Uma vez que era cheio de verdadeira grandeza, ele se relacionava tanto com pastores de ovelha quanto com pecadores e cobradores de imposto — justamente aquelas pessoas que os rabinos essênios consideravam uma ameaça, cujo caminho as levaria para o Inferno, e com as quais, portanto, evitavam qualquer tipo de contato, com medo de serem contaminados por elas. Yeshua, por sua vez, comia e bebia com eles, dizendo:

‘Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel’; ‘Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes’; ‘Ai de vós, escribas e fariseus (isto é, os rabinos de então), hipócritas! Porquanto limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de roubo e lascívia’; ‘Bem profetizou Isaías, o profeta, acerca de vós, hipócritas, conforme está escrito: Este povo Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; seu temor para Comigo não passa de um mandamento ensinado por homens’ (cf. Isaías 29:13); ‘Porquanto abandonais os mandamentos de D’us para manter a tradição dos homens’.

Essas são as palavras de um profeta, de um reformador destemido.

Com essa mesma ousadia, fruto de um amor verdadeiro que trazia pecadores de volta a D’us, Yeshua também defendeu uma mulher que, aos olhos dos rabinos, era apenas um instrumento nas mãos de Satán para conduzir o homem ao pecado, rompendo, assim, as amarras que tornava a mulher tão solitária.

Com liberdade de espírito, ele despedaçou os grilhões das ‘leis do Shabat’4,  ao dizer: ‘O Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat’.

Estamos diante do maior pensador de todos; uma personalidade grandiosa, um gênio religioso. Não há – para o nosso povo, de modo geral, e para os líderes judeus, de forma específica – nenhum motivo para odiar o mestre mais humilde e mais admirável de todo Israel.

Não podemos negar que o ideal de vida manifestado nos seguidores de Yeshua é único em termos de excelência e de grandiosidade. Por trás de todos eles, encontra-se uma cativante personalidade do amor e da bondade; uma personalidade mais amada e mais exaltada do que qualquer outra na humanidade: Yeshua. Toda a grandeza do ‘filósofo grego’ e do ‘judeu santo’ está amalgamada, harmoniosamente, naquele que morreu na cruz.

Nenhum padrão de moral, nenhum livro de estudo ou religião consegue causar uma impressão tão profunda como a pessoa de Yeshua, que se posta, como nenhum outro, entre a Terra os portões do Paraíso, igualmente próximo aos homens e a D’us.

Se ele foi o representante ideal da irmandade essênia? Não! Ele foi a materialização da “irmandade” de toda a raça humana. Yeshua – o amparador dos necessitados, amigo dos pecadores, irmão de todos os que sofrem, consolador dos desafortunados, amante da humanidade, libertador da mulher – ganhou e conquistou o coração dos homens.

De que valeu o orgulho filosófico dos sábios e a corrupção religiosa dos rabinos e sacerdotes em um mundo que estava faminto por D’us e sedento pela redenção do pecado e da crueldade? Aquele era o tempo de Yeshua, maduro para uma revolução social – para a Era Messiânica -, quando o soberbo seria humilhado e o humilde, exaltado. Yeshua, o mais modesto de todos os homens, aquele que, como nenhum outro, é execrado pela nação judaica, foi exaltado e assentou-se sobre o ‘trono de glória’ do mundo, tornando-se o rei de toda a Terra”.

Essas foram as palavras de um respeitado doutor e rabino judeu, o qual, diferentemente da grande maioria dos rabinos ortodoxos, decidiu ler a Nova Aliança por si mesmo, apaixonando-se pela pessoa de Yeshua. Em seu discurso, ele desmantelou aquela noção ultrapassada que muitos rabinos tentam atribuir ao Messias judeu, Yeshua.5


Notas

1. viz. Nazaré (נצרת).
2. Confira o livro זיכרון ונשייה: סודן של מגילות מדבר יהודה, da Dra. Rachel Elior, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, bem como suas palestras em vídeo מי כתב את המגילות הגנוזות e מי דחק את מגילות מדבר יהודה לתהום הנשייה ומדוע, ambas publicadas no YouTube, onde ela refuta, de uma vez por todas, a atribuição da comunidade de Qumran — e, por conseguinte, dos Pergaminhos do Deserto da Judeia (viz. Manuscritos do Mar Morto) — aos essênios. Assista, também, à palestra em vídeo היו נשים בחורבת קומראן? על קברים ומגילות, do Dr. Eyal Regel, professor da Universidade Bar-Ilan.
3. viz. João, o Batista (יוחנן המטביל).
4. Note que Yeshua nunca foi contra o Shabat — longe disso! — , mas sim contra as tradições rabínicas, em forma de decretos normativos, que afastavam as pessoas do cerne desse belo mandamento.
5. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-דר-קאופמן/.A conferência religiosa que foi realizada em parceria com a Feira de Chicago, em 1893, trouxe consigo representantes de religiões e credos diferentes, de diferentes partes do mundo.Entre eles, havia um grande número de rabinos da Europa e da América.

Um dos palestrantes foi o Dr. Kaufmann Kohler, o expoente do Judaísmo Reformista mais conhecido da época. Em seu discurso, cujo tema era “A Sinagoga e a Igreja”, o rabino apresentou evidências de que o Judaísmo e o Cristianismo possuem muitas semelhantes entre si. Vejamos, a seguir, um trecho de seu discurso no que tange à personalidade de Yeshua:

“Os rabinos cometem um grave erro quando comparam Yeshua de Natséret1 a Rabí Hilel ou a Fílon, o proeminente filósofo judeu de Alexandria. Yeshua não pertencia a nenhuma vertente; ele era ‘um do povo’. Nele, o ideal dos rabinos essênios2 sobre amor e irmandade atingiram um novo patamar.

Assim como Yochanan, o Imersor3,  Yeshua sentia-se atraído, pelo poder do amor divino, aos menos afortunados dentre o seu povo. Uma vez que era cheio de verdadeira grandeza, ele se relacionava tanto com pastores de ovelha quanto com pecadores e cobradores de imposto — justamente aquelas pessoas que os rabinos essênios consideravam uma ameaça, cujo caminho as levaria para o Inferno, e com as quais, portanto, evitavam qualquer tipo de contato, com medo de serem contaminados por elas. Yeshua, por sua vez, comia e bebia com eles, dizendo:

‘Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel’; ‘Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes’; ‘Ai de vós, escribas e fariseus (isto é, os rabinos de então), hipócritas! Porquanto limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de roubo e lascívia’; ‘Bem profetizou Isaías, o profeta, acerca de vós, hipócritas, conforme está escrito: Este povo Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; seu temor para Comigo não passa de um mandamento ensinado por homens’ (cf. Isaías 29:13); ‘Porquanto abandonais os mandamentos de D’us para manter a tradição dos homens’.

Essas são as palavras de um profeta, de um reformador destemido.

Com essa mesma ousadia, fruto de um amor verdadeiro que trazia pecadores de volta a D’us, Yeshua também defendeu uma mulher que, aos olhos dos rabinos, era apenas um instrumento nas mãos de Satán para conduzir o homem ao pecado, rompendo, assim, as amarras que tornava a mulher tão solitária.

Com liberdade de espírito, ele despedaçou os grilhões das ‘leis do Shabat’4,  ao dizer: ‘O Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat’.

Estamos diante do maior pensador de todos; uma personalidade grandiosa, um gênio religioso. Não há – para o nosso povo, de modo geral, e para os líderes judeus, de forma específica – nenhum motivo para odiar o mestre mais humilde e mais admirável de todo Israel.

Não podemos negar que o ideal de vida manifestado nos seguidores de Yeshua é único em termos de excelência e de grandiosidade. Por trás de todos eles, encontra-se uma cativante personalidade do amor e da bondade; uma personalidade mais amada e mais exaltada do que qualquer outra na humanidade: Yeshua. Toda a grandeza do ‘filósofo grego’ e do ‘judeu santo’ está amalgamada, harmoniosamente, naquele que morreu na cruz.

Nenhum padrão de moral, nenhum livro de estudo ou religião consegue causar uma impressão tão profunda como a pessoa de Yeshua, que se posta, como nenhum outro, entre a Terra os portões do Paraíso, igualmente próximo aos homens e a D’us.

Se ele foi o representante ideal da irmandade essênia? Não! Ele foi a materialização da “irmandade” de toda a raça humana. Yeshua – o amparador dos necessitados, amigo dos pecadores, irmão de todos os que sofrem, consolador dos desafortunados, amante da humanidade, libertador da mulher – ganhou e conquistou o coração dos homens.

De que valeu o orgulho filosófico dos sábios e a corrupção religiosa dos rabinos e sacerdotes em um mundo que estava faminto por D’us e sedento pela redenção do pecado e da crueldade? Aquele era o tempo de Yeshua, maduro para uma revolução social – para a Era Messiânica -, quando o soberbo seria humilhado e o humilde, exaltado. Yeshua, o mais modesto de todos os homens, aquele que, como nenhum outro, é execrado pela nação judaica, foi exaltado e assentou-se sobre o ‘trono de glória’ do mundo, tornando-se o rei de toda a Terra”.

Essas foram as palavras de um respeitado doutor e rabino judeu, o qual, diferentemente da grande maioria dos rabinos ortodoxos, decidiu ler a Nova Aliança por si mesmo, apaixonando-se pela pessoa de Yeshua. Em seu discurso, ele desmantelou aquela noção ultrapassada que muitos rabinos tentam atribuir ao Messias judeu, Yeshua.5


Notas

1. viz. Nazaré (נצרת).
2. Confira o livro זיכרון ונשייה: סודן של מגילות מדבר יהודה, da Dra. Rachel Elior, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, bem como suas palestras em vídeo מי כתב את המגילות הגנוזות e מי דחק את מגילות מדבר יהודה לתהום הנשייה ומדוע, ambas publicadas no YouTube, onde ela refuta, de uma vez por todas, a atribuição da comunidade de Qumran — e, por conseguinte, dos Pergaminhos do Deserto da Judeia (viz. Manuscritos do Mar Morto) — aos essênios. Assista, também, à palestra em vídeo היו נשים בחורבת קומראן? על קברים ומגילות, do Dr. Eyal Regel, professor da Universidade Bar-Ilan.
3. viz. João, o Batista (יוחנן המטביל).
4. Note que Yeshua nunca foi contra o Shabat — longe disso! — , mas sim contra as tradições rabínicas, em forma de decretos normativos, que afastavam as pessoas do cerne desse belo mandamento.
5. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-דר-קאופמן/.

Rabino Daniel Tsion

 

Rabino Daniel Tsion

Nascimento: Tessalônica, 1883.
Morte: Haifa, Israel, 1979.
Viveu e oficiou em Sófia, Bulgária,
durante a Segunda Guerra Mundial.

Biografia por Joseph Shulam, seguida por notas autobiográficas.

Após a Guerra dos Balcãs, em 1912, muitos milhares de judeus imigraram para a Bulgária. Conforme a comunidade crescia, também crescia a necessidade por mais rabinos. Em 1918, uma mensagem foi enviada de Sófia para Tessalônica, o centro cultural judaico, solicitando que rabinos fossem enviados. Por isso, o chefe da yeshivá em Tessalônica enviou seu jovem filho, Daniel Shelomo Tsion, para servir a comunidade em Sófia, onde, mais tarde, seria eleito o grão rabino da Bulgária. A maior realização do rabino Daniel Tsion foi sua atividade durante os anos da guerra.

No início da década de 1930, o rabino Tsion foi convidado para visitar Dunnov, professor de um tipo místico de Cristianismo. Pode-se dizer que ele aprendeu quatro coisas com Dunnov: comer apenas alimentos vegetarianos, acordar bem cedo, começar o dia com orações contemplando o nascer do sol e fazer exercícios físicos diários. Dunnov também lhe apresentou Yeshua como sendo o Messias e o Salvador de Israel, ressaltando sempre o estilo de vida simples de seus primeiros discípulos.

De acordo com o rabino Tsion, a maior mudança em sua vida aconteceu quando Yeshua apareceu para ele, em uma visão, enquanto fazia suas orações e contemplava o nascer do sol.  Mas como ele não sabia o que a visão significava, perguntou a outros rabinos o que deveria fazer a respeito. Depois de ter tido a mesma visão pela terceira vez, ele virou-se para a figura e falou com ela. A figura cintilava diretamente do sol, e a impressão que Daniel Tsion teve era de que ela lhe respondera de volta, identificando-se como Yeshua.

O rabino sabia que precisava encontrar uma fonte de informação que o ajudasse a lidar com a visão e a compreender o seu significado. A essa altura, Daniel Tsion dirigiu-se ao patriarcado da Igreja Ortodoxa Grega, em Sófia, e fez amizade com o arquimandrita Stephen. Eles desenvolveram uma grande amizade e uma franca troca de ideias sobre diversos assuntos espirituais, incluindo Yeshua e a “igreja primitiva”. O patriarca, que era bem versado no relacionamento delicado entre judeus e cristãos, apenas encorajou o rabino a deixar de lado o Cristianismo e a concentrar-se no próprio Yeshua.

O rabino Tsion nunca se converteu ao “Cristianismo”. Ele tão somente passou a crer em Yeshua, permanecendo fiel ao estilo de vida observante da Torá. Seu sentimento para com Yeshua, o Messias, pode ser melhor exprimido em uma canção que Daniel Tsion escreveu acerca de sua fé:

Não, não eu; não, não eu; apenas tu és Yeshua em mim!

Apenas tu me trazes perante o Deus dos meus antepassados,

Apenas tu podes curar-me de toda enfermidade maligna,

Não, não eu; não, não eu; apenas tu és Yeshua em mim!

Apenas tu me ensinas a amar toda a criação,

Apenas tu me ensinas a amar até mesmo o inimigo,

Não, não eu; não, não eu; apenas tu és Yeshua em mim!

Dessarte, permanecerei em teu amor,

Para sempre estarei dentro da tua vontade,

Não, não eu; não, não eu; apenas tu és Yeshua em mim!

O rabino Tsion começou a reunir um grupo pequeno e bem seleto de judeus para estudar a Nova Aliança, em sua casa, todo Shabat à tarde. Dentre esses judeus, estavam alguns dos membros mais proeminentes da comunidade judaica em Sófia.

A fé de Daniel Tsion em Yeshua, o Messias, tornou-se um segredo amplamente difundido entre a comunidade judaica da Bulgária. No entanto, sua posição era tão honrosa e seus serviços, tão altamente estimados, que nenhum dos oficiais judeus em Sófia ousavam criticar o rabino abertamente. Ele continuou bem inserido na estrutura da comunidade judaica da Bulgária, e não parou de viver como um judeu ortodoxo em todo o rigor da observância da Torá, de modo que não havia embasamento para seus oponentes acusarem-no de heresia. Nos bastidores, porém, a liderança da comunidade judaica começou a isolá-lo lentamente.

Quando a Alemanha nazista ocupou a Bulgária, o rabino Tsion era o líder espiritual da comunidade judaica, o que acabou por torná-lo objeto de perseguição e zombaria. Tomaram-no à força e açoitaram-no, publicamente, em frente à Grande Sinagoga de Sófia. Durante aquele período, Daniel Tsion andava ereto perante os fascistas; sua única reação era clamar a Deus.

Em 1943, o governo local tomou a decisão, sob pressão dos alemães, de expulsar os judeus da Bulgária. No dia 23 de maio, o rabino Tsion reuniu todos os judeus na sinagoga central de Sófia, que é a segunda maior sinagoga de toda a Europa. Cada judeu na cidade veio à sinagoga e orou para que a decisão maligna fosse revertida. Daniel Tsion disse publicamente à toda a comunidade: “É melhor morrermos aqui do que na Polônia”.

Quando os judeus saíram da sinagoga, a polícia atacou a multidão com cassetetes, prendendo cerca de duzentos e cinquenta homens. O povo continuou marchando em direção ao Santo Sínodo e exigiu uma reunião com o metropolita Stephen, que era respeitado pela comunidade judaica devido à sua atitude amigável para com eles. Stephen prometeu aos judeus que ele se encontraria com o rei e com os ministros, na tentativa de influenciá-los a mudar sua atitude e cessar a perseguição contra a comunidade judaica.

Apesar de seus esforços, em 25 de maio de 1943, a expulsão dos judeus de Sófia começou. A Comissão Geral de Assuntos Judaicos [Commissariat General aux Questions Juives] levou de Sófia 10.153 judeus e 3.500 homens, colocando-os em campos de trabalho forçado em cidades provinciais. Restaram apenas 2.300 judeus em Sófia. A Igreja Ortodoxa Búlgara continuou intercedendo pela comunidade judaica junto ao rei e aos ministros. A Igreja foi uma das maiores pedras de tropeço na empreitada do governo búlgaro de enviar os judeus para Auschwitz.

Levanta-se, então, a pergunta: Por que a Igreja Ortodoxa da Bulgária era tão amigável com os judeus? O verdadeiro motivo jaz no relacionamento especial que o metropolita Stephen e o rabino Daniel Tsion nutriam um para com o outro.

Quando se falou em deportar a comunidade judaica para a Alemanha, o rabino Tsion e seu secretário, A. A. Anski, escreveram uma carta ao rei da Bulgária. Nela, Daniel Tsion implorou, em nome de Yeshua, que o rei não permitisse que os judeus fossem expulsos do país. Ele também contou que vira Yeshua, em uma visão, dizendo-lhe para advertir o rei quanto a entregar os judeus para os nazistas. Depois de uma longa provação, esperando horas à porta do palácio real, em Sófia, o rabino e seu secretário conseguiram entregar a carta ao secretário do rei. No dia seguinte, o rei iria à Alemanha para uma reunião com o governo nazista e com o próprio Hitler. O rei Boris manteve-se firme e não se rendeu à pressão nazista para entregar os judeus da Bulgária à morte certa nos campos de concentração da Polônia e da Alemanha.

No dia 9 de setembro de 1944, o governo fascista da Bulgária caiu, bem como o comunista, sob o padronado da Rússia. Daniel Tsion continuou sendo o líder e o grão-rabino da Bulgária até 1949, quando, acompanhado de grande parte da comunidade judaica búlgara, imigrou para Israel.

Na Terra Santa, ele foi imediatamente aceito como o rabino dos judeus búlgaros. Em 1954, quando o rabino Shemuel Toledano se tornou grão-rabino de Israel, ele convidou Daniel Tsion para ser juiz na corte rabínica de Jerusalém. Quando rumores de que o rabino Tsion era um crente em Yeshua começaram a circular, Toledano convidou-o a seu escritório para perguntar-lhe, pessoalmente, sobre esses boatos. Daniel Tsion explicou a sua posição, dizendo que reconhecia Yeshua como o Messias judeu, mas que não aceitava o Cristianismo como a verdadeira expressão do ensino e da pessoa de Yeshua. Ora, o rabino Toledano disse que ele poderia viver com essa posição — desde que a guardasse para si. Quando Daniel Tsion argumentou que uma mensagem tão importante assim não poderia ser mantida em segredo, Toledano viu-se forçado a levar o rabino Tsion perante a corte rabínica, deixando a cargo dos outros rabinos o que deveria ser feito.

Na corte, evidências da fé de Daniel Tsion em Yeshua, o Messias, foram apresentadas na forma de quatro livros que ele escrevera, em búlgaro, sobre Yeshua. O direito de resposta foi-lhe dado. Eis as palavras que o rabino Tsion proferiu em sua própria defesa:

“Sou pobre e debilitado, perseguido e vulnerável; Yeshua conquistou-me e honrou-me com um Novo Homem. Com seu grande amor, libertou-me do meu eu afligido com pobreza; ele me estima”.

“Todos os dias, o mal sagaz deseja roubar a minha fé; eu me apego ao meu encorajador e expulso Satán. Apresento-me aqui sozinho em minha fé; o mundo todo está contra mim. Estou disposto a abrir mão de toda honra e toda glória que os homens possam oferecer-me, por amor ao Messias, meu companheiro”.

Muito embora a corte tenha removido o título rabínico de Daniel Tsion, os judeus búlgaros continuaram a honrá-lo como seu rabino. Um judeu russo, crente em Yeshua — que foi um dos primeiros colonos sionistas em Rishon LeZion —, deu ao rabino Tsion um prédio na Rua Yeffet, no coração de Jafa, para que se tornasse uma sinagoga. Ali, Daniel Tsion oficiou até o dia 6 de outubro de 1973. Naquela sinagoga, o rabino Tsion não falava abertamente sobre Yeshua com muita frequência, mas contava, em diversas ocasiões, histórias e parábolas extraídas da Nova Aliança. Todavia, em cada Shabat, após o serviço sinagogal, ele trazia para casa um grupo de membros da sinagoga a fim de ensiná-los sobre Yeshua e a Nova Aliança, durante a tarde inteira, até que chegasse a hora de voltar à sinagoga para as orações da noite.

O rabino Tsion escreveu centenas de canções sobre Yeshua, o Shabat e a boa vida. Ele também escreveu livros sobre vegetarianismo, alimentação saudável e estilo de vida natural. Yeshua era seu salvador e amigo, e até o fim de sua vida, Daniel Tsion viveu à altura do poema que escreveu baseado no acróstico de seu nome (דניאל ציון), chamado “Servo de Deus”:

A Palavra (דברdevar) de Deus é meu caminho,

A Lâmpada (נרner) de Deus é minha guia,

O Temor (יראתyir’at) de Deus é o princípio da Sabedoria,

O Amor (אהבת’ahavat) de Deus é minha Vida,

Fazer (לעשותla‘assot) a vontade de Deus é minha aspiração,

Justiça (צדקtsedek) e Retidão são meus objetivos,

Seus Sofrimentos (ייסוריםyisurim) são minha expiação,

Ora, Ele protejerá (ויגןveyaguen) todos os teus caminhos;

O Eterno (נצחnetsach) de Israel é meu conforto.

Em 1979, aos 96 anos, o rabino Tsion partiu para o Mundo Vindouro. A comunidade judaica búlgara de Israel concedeu-lhe pleno status e honra militares. Seu esquife ficou no centro de Jafa sob guarda militar, e ao meio-dia, foi carregado por homens, a pé, até o cemitério de Holon. Ele foi enterrado como o grão-rabino dos judeus búlgaros que os salvou do Holocausto Nazista. Ele era 100% judeu e 100% discípulo de Yeshua, o Messias.

DISCURSOS E ESCRITOS PESSOAIS


TESTEMUNHO NA RÁDIO ISRAELENSE “KOL YISRAEL” (14 de setembro de 1952)

O rabino Tsion teve a oportunidade de contar sua experiência no “Kol Yisrael” (Voz de Israel), a estação de rádio oficial na Terra Santa. Algo assim nunca fora permitido antes. A seguir, encontra-se parte da transcrição de seu discurso:

“Há mais de vinte anos, tive a oportunidade de ler a Nova Aliança pela primeira vez. Ela me influenciou grandemente. Comecei a falar sobre ela em um pequeno grupo na Bulgária. Eu sempre lamentei o fato de que Yeshua, o Messias, foi alienado da comunidade de Israel. Ele não fez nada além do bem para o povo judeu: chamou-os ao arrependimento, proclamou o Reino de Deus e o Amor Divino, um amor para com todos os homens, até mesmo para com os inimigos. Para a nossa grande lástima, tivemos que pagar um alto preço pelo pecado de rejeitar o verdadeiro Messias. Mas eu preciso confessar: minha posição de rabino não permitiu que eu saísse ao mundo, aberta e prontamente, para declarar essa verdade — até que Deus, em Sua grande misericórdia, libertou-me de todo medo. Ele trouxe-me a essa Terra de Israel, onde, a princípio, revoguei minhas atribuições como um rabino de Jaffa”.

“Depois que abri mão da minha posição (como grão-rabino de Jafa), fui a Jerusalém, onde, por um mês inteiro, dediquei-me a jejuns, orações e súplicas. Foi então que eu pedi a Deus que me mostrasse o caminho certo; e o Todo Poderoso ouviu minha oração. No primeiro dia de Shevat, 5710 (janeiro/fevereiro de 1950), o Espírito Santo revelou-me que Yeshua de fato é o Messias, o qual sofreu por nós e sacrificou-se pelos nossos pecados. Um fogo ardente em meu coração não me deu descanso até que eu confessei, publicamente, a minha fé no sangue expiatório do Senhor Yeshua, o único e verdadeiro Messias de Israel”.

“Apesar de todas as dificuldades, perseguições e sofrimentos pelos quais passei, incessantemente, nada poderia dissuadir-me de minha fé. Muito pelo contrário! Deus, a quem eu dera meu coração e para quem eu recorro em todas as minhas necessidades, tem-me dado a força e o poder para continuar o meu testemunho. Ele falou comigo através de um verso do Tanach (Isaías 41:10): “Não temas, porque Eu estou contigo; não te amedrontes, pois sou teu Deus. Hei de fortalecer-te, te ajudar e te sustentar com Minha destra vitoriosa”. “Por isso, entendo que uma grande e importante tarefa me foi confiada pelo Deus Eterno, a qual preciso cumprir a qualquer custo. Não pensem que eu deixei o Judaísmo. Longe de mim! Sempre serei judeu, e a verdade é que tenho me tornado cada vez mais judeu, pois o próprio Yeshua permaneceu judeu”.

UMA MENSAGEM PARA OS RABINOS

A seguir, encontra-se um trecho de uma mensagem que o rabino Tsion deu aos seus colegas, os rabinos de Israel, perante quem ele foi julgado:

“Eu sei que, de acordo com o seu conhecimento e ideias, passei a seguir um caminho errado quando aceitei Yeshua como Messias e Redentor. Diante do banco de testemunhas do Céu, eu disse-lhes que orei ao Eterno, com lágrimas e jejuns, por muitos anos, para que Ele me guiasse no caminho da retidão, a fim de que eu realizasse apenas a Sua vontade, e não a minha. Contei-lhes sobre a forma maravilhosa como Yeshua revelou-se a mim — não uma, mas muitas vezes. Vocês contestaram, alegando que era tudo imaginação e ilusão. Perdoem-me, por favor, quando eu digo que são os senhores que estão imaginando, e que as coisas reais e verdadeiras parecem-lhes ilusões”.

“Eu sei que a educação limitada e os altos cargos dos rabinos são um véu, ocultando-lhes a verdade. Vocês não conseguem mais julgar de maneira objetiva. Eu também sofri com isso, mas Deus, em Sua graça, pelo Espírito Santo, mostrou-me a reta vereda, apesar dos meus pecados. Tenho sido guiado por Ele há anos, e Ele conduz-me pelo caminho da retidão. Portanto, digo-lhes: mesmo se eu fosse o único a crer em Yeshua como o Messias, eu não consideraria isso como imaginação. Ora, vejo que milhões de homens o reconhecem, dentre os quais milhares de judeus altamente instruídos. Até mesmo alguns rabinos creem em Yeshua como o Messias. Será que eles também são vítimas do engano e da imaginação?”.

“Se vocês, rabinos, orassem a Deus com todo o coração, e lessem atentamente a Nova Aliança, dando a esse livro e ao Messias Yeshua o devido respeito, estou certo de que o Eterno lhes abriria os olhos. Yeshua não fez nada além do bem; ele conclamou Israel ao arrependimento e ao Reino de Deus. Fez muitos sinais e maravilhas, como nenhum profeta antes dele. Quis unir as pessoas, a fim de que amássemos uns aos outros, bem como nossos inimigos. Ele desejou criar uma ponte entre Israel e as nações, pois deve haver paz entre eles, e as profecias de Isaías e de todos os profetas precisam se cumprir, para que o Eterno seja Rei sobre toda a terra”.

“A verdade precisa ser dita: nossos antepassados cometeram um grave pecado quando condenaram à morte aquele que não tinha pecado. Nossos antepassados pecaram e pereceram. Nós sofremos por seu crime. Por acaso queremos continuar sofrendo? Precisamos fazer restituição pelo erro. Precisamos receber Yeshua como um judeu e como o Messias do Eterno. Ele viveu entre os judeus e sacrificou-se pelos judeus, a fim de expiar, com o próprio sangue, os seus pecados. Ele ressuscitou e voltará para redimir-nos com perfeita redenção”.

“Como mensageiro de Deus, eu precisava adverti-los. Primeiro, vem a advertência; depois, o castigo segue. Assim, vocês saberão que o Eterno me enviou, e que não falo por mim mesmo. Os dias de visitação chegaram — os dias da retribuição! Se vocês receberem Yeshua como o verdadeiro Messias, seremos redimidos, pela segunda vez, com perfeita redenção. Se não, muito sofrimento virá sobre o povo de Israel. E a vocês, rabinos, seja dito: ‘Menê, Menê, Tekêl Ufarsin!’” (Daniel 5:25).1


Notas

1. O texto original inglês pode ser encontrado em http://realmessiah.org/index.php/en/testimonies.