Não é possível contornar Jerusalém

 

O SENHOR ama as portas de Sião mais do que todas as habitações de Jacó. Coisas
gloriosas se dizem de ti, ó cidade de Deus. (Salmo 87. 2, 3)

 

Jerusalém não é populosa como São Paulo, nem rica como Tokyo. Também não é capital de nenhuma potência mundial, não está localizada em um lugar estratégico. Não é sede de grandes multinacionais e em boa parte de sua história tem permanecido sob o domínio de grandes impérios. Todavia, nenhuma outra no planeta e na História esteve tão presente. Nenhum lugar do mundo gerou tantas tensões. Nenhuma outra cidade domina tanto a imprensa ou mesmo a literatura.

Podemos dizer que ela é a cidade mais amada e mais disputada do mundo. Nela se encontra, sem sombra de dúvidas, o ponto nevrálgico da paz mundial. Em suas paredes se abrigam inúmeras esperanças, presentes e futuras, esperanças reais e irreais, justas e injustas. Ali se cruzam as estradas do espaço e do tempo.

As nações puderam, inúmeras vezes, pisar Jerusalém. Muitos têm até mesmo amaldiçoado essa cidade por não entender os mistérios que a rodeiam. Pode-se amá-la ou odiá-la, contudo, é impossível contornar Jerusalém. Ela se encontra no centro das nações e da história.

Não é verdade que todos os caminhos levam a Roma. Eles levam a Jerusalém. Foi lá que Abraão ofereceu Isaque e o Templo foi construído. Foi lá que o Messias morreu por toda a humanidade e foi lá que ele ressuscitou, vencendo a morte para sempre. Foi nessa cidade que o Espírito foi derramado de forma ampla e distinta no dia de Pentecoste. E foi dali que partiram os primeiros missionários para chegar até os confins da terra.

Será contra Jerusalém que as nações se ajuntarão no futuro. Será sobre um de seus montes que o Messias colocará seus pés. E será a partir dela que o Cristo reinará sobre todos os reinos. E então ela será reconhecida afinal, como a cidade do grande Rei.

Deus não escolheu as coisas fortes e nem as coisas sábias deste mundo. Escolheu as coisas loucas e as coisas fracas, para demonstrar ao mundo que só Dele provém a verdadeira força e a verdadeira glória. Jerusalém não desfruta de algum tipo de grandeza, por causa de si mesma. Sua grandeza provém Daquele que a escolheu.

Porém escolhi Jerusalém para que ali estivesse o meu nome… (2 Cr 6.6) Os homens podem ter suas opiniões e podem desenvolver suas teologias. As nações podem fazer seus planos e implementar suas políticas. A ONU pode pensar que tem o domínio do mundo em suas mãos, inclusive o domínio de Jerusalém. No entanto, Jerusalém sempre estará lá para lembrar a todos que Deus e somente Ele é o Senhor da história e que Ele a conduzirá conforme Seus próprios planos e nenhuma ação humana impedirá isso.

Há dois mil anos o próprio Jesus disse que Jerusalém seria pisada pelos povos da terra e por quase dois mil anos isso foi um fato histórico. Todavia, ele mesmo estabeleceu os limites temporais para isso. Ele disse: “..até que o tempo dos gentios se complete…”. O fim do domínio das nações sobre Jerusalém ocorreu há mais de 50 anos. Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, os judeus conquistaram a parte oriental da cidade.

Entendemos perfeitamente que Jerusalém só será de fato e de direito a “cidade da paz” quando nela reinar o Príncipe da Paz. Antes disso, todos os acordos e contratos falharão. Todas as tentativas humanas, mesmo as melhores, não serão mais que ilusões. No entanto, após esses 50 anos da conquista de sua liberdade, reconhecemos que as promessas divinas deram mais um passo em direção à sua plenitude. E por isso, queremos abençoar Jerusalém, lembrando o Salmo 122:

“Prosperem os que te amam, ó Jerusalém! Haja paz dentro de tuas muralhas e segurança em teus palácios” Em favor de meus irmãos e amigos suplicarei: “A paz esteja contigo!”


Por Eguinaldo Hélio de Souza
Pastor, jornalista, professor de teologia e história no Vale da Bênção. Palestrante nas áreas de apologética, seitas,
escatologia, Israel e vida matrimonial.

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