O Messias na Criação

 

 

O Messias na Criação

 

 

“Desde o tempo da Criação, é feita menção constante na Bíblia Hebraica sobre o Messias e a esperança messiânica de Israel. ‘O Espírito de Deus moveu-se sobre as faces das águas’; o espírito de Deus significa o Messias” (Midrash – Gênesis Rabá, 23).

 

Um dos Treze Princípios de Fé estabelecido por Maimônides contempla a vinda do Messias, o anseio por sua chegada é parte fundamental do viver judaico, isto é um dogma básico do judaísmo. De fato, a Bíblia Hebraica coloca a pessoa do Messias em posição de destaque cujas profecias a seu respeito é a coluna dorsal que sustenta toda narrativa dos profetas ao longo do Tanach[1].

Como bem-dito pelos sábios neste Midrash[2], a presença do Messias remonta ao princípio. Na Brit Hadashá[3], Yochanan (discípulo de Yeshua) também apresenta o Messias como alguém presente no processo criacionista dos céus e da Terra, porém ele vai além e associa o Messias não apenas ao Espírito que se movia sobre a face das águas, mas ao próprio Deus Criador, ele diz:

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez” (Brit Hadashá, Yochanan 1.1-3).  

Semelhantemente a Yohanan, Shaul (também discípulo de Yeshua) traz o mesmo ensinamento: “Contudo, para nós há um só Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas e para quem existimos; e um só Senhor, Yeshua, o Messias, por meio de quem foram criadas todas as coisas e de quem recebemos o ser”. (1 Coríntios 8.6; ver também Hebreus 1.2).

Não obstante Moshê registra na Torá que a criação teve origem à partir da Palavra do Eterno: Disse Deus: Haja luz; e houve luz” (Bereshit[4] 1.3); “E disse Deus: Haja firmamento no meio das águas e separação entre águas e águas” (Bereshit 1.6); “Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus…” (Bereshit 1.14); “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;” (Bereshit 1.26). De fato, foi por meio de sua Palavra que o Eterno se revelou ao povo de Israel e às comunidades gentílicas, é através de sua Palavra que ele revela seus mandamentos, é através de sua Palavra que ele executa sua vontade aqui na terra.

O Dr Michael Brown, judeu messiânico, traz uma informação que pode nos ser de grande valia na compreensão do termo “Palavra do Eterno”:

“Os rabinos levaram esse conceito ainda mais além. Uma vez que Deus era visto, de certa forma, como “intocável”, foi necessário que se providenciasse uma conexão entre o Eterno e sua criação terrena. Uma das conexões mais importantes na literatura Rabínica era “a Palavra”, conhecida em aramaico como Mimrá (da raiz hebraica “dizer” [אמר] – a raiz usada em todo relato da Criação, em Gênesis 1, quando disse e o mundo material veio à existência). Podemos encontrar esse conceito da Mimrá centenas de vezes nos targumím aramaicos, ou seja, nas traduções e paráfrases da Bíblia Hebraica que eram lidas nas sinagogas antes, durante e depois da época de Yeshua”.[5]

Vejamos alguns exemplos interessantes:

B’reshit 1.27 – Deus criou o homem.

Targum: A Palavra do Eterno criou o homem (Targum Pseudo-Yonatán).

B’reshit 15.6 – E Abrão acreditou no Eterno.

Targum: E Abrão acreditou na Palavra do Eterno.

Sh’mot[6] 25.22 – E no tempo marcado estarei ali.

Targum: E lá, enviarei minha Palavra a você.

 

Observem agora este verso da Torá e a versão do Targum:

B’reshit 28.20-21 – “Ya’akov fez um voto: ‘Se Deus for comigo e me guardar na estrada pela qual viajo, der-me pão para comer e roupas para vestir, para que eu volte para a casa de meu pai em paz, então ADONAI será meu Deus”.

Targum: Se a Palavra do Eterno for comigo […] então a Palavra do Eterno será meu Deus.

A Palavra do Eterno será o Deus de Jacó! Notem que a Mimrá (Palavra) do Eterno não representava uma simples “coisa”, antes, tratava-se de alguém.

Assim sendo, Yochanan movido pelo Espírito de Deus nos revela que a Mimrá do Eterno, ou seja, o Logos (grego), a Palavra que por meio dela tudo veio a existir é o próprio Messias, Yeshua, que mais tarde viria para habitar entre nós.

Como disse Menachem M. Brod: “ Sem Mashiach, criação e Torá não têm sentido”.[7]

 


Por Romualdo Santos
Pastor, docente, vice presidente do Instituto Tzadik Baemunah e diretor administrativo executivo da Editora Davar. 
Romualdo, é parte do time responsável pela gestão e desenvolvimento de parcerias estratégicas que dá suporte a Diretoria
do Instituto Tzadik BaEmunah e da Editora Davar.


[1] Acróstico que significa: Torá = Pentateuco; Neviim = Profetas; Ketuvim = Escritos, ou seja, o Antigo Testamento.
[2] Derivado do radical darash que significa pesquisar, investigar, Midrash é uma exposição dos versículos da Torá feitos pelos sábios judeus.
[3] Termo em hebraico que significa “Nova Aliança ou Pacto”. É o Novo Testamento.
[4] Gênesis
[5] Veja maiores explicações sobre o conceito da Mimrá nos targumim no livro “Respondendo Objeções Judaicas contra Jesus”; Editora Davar; Autor Michael L. Brown. 
[6] Êxodo
[7] BROD M. Menachem, “OS DIAS DE MASHIACH, p.25, ed. CHABAD.

 

 

Rabino Joseph Teichman

 

Rabino Joseph Teichman

 

Nascimento: —
Morte: junho de 1988.

Joseph Teichman nasceu e cresceu como o filho de um rabino ortodoxo na cidade de Nova York, nos EUA. Ele seguiu os passos do pai e também foi ordenado rabino ortodoxo. No entanto, diferentemente de seu pai, Joseph concluiu os estudos de doutorado em psicologia.

Quando percebeu que não conseguia mais crer na tradição rabínica, ele passou para a vertente judaica conservadora. Sua esposa, porém, recusou-se a deixar a comunidade ortodoxa. Enquanto Teichman mudou-se para a Califórnia e foi nomeado rabino da sinagoga de Fresno, ela permaneceu no Brooklin com os filhos.

Depois de um tempo, o rabino Teichman mudou-se para Reno, em Nevada, a fim de assumir o cargo de líder da sinagoga conservadora local. E uma vez que vivia no eterno país das possibilidades, ele acabou se tornando o melhor amigo do líder de uma congregação messiânica. Seu amigo, com a ajuda de outros messiânicos, mostrou-lhe que as profecias do Tanach acerca do Messias apontam para Yeshua, o que o impulsionou a investigar o assunto por si mesmo. Sua pesquisa levou-o à decisão de abraçar a fé em Yeshua como o Messias de Israel e seu Salvador pessoal.

Conforme estudava a Nova Aliança, ele crescia e se desenvolvia na fé. Às vezes, dirigia-se à congregação messiânica local, em segredo, para ouvir os estudos. Mas tirando isso, ele mantinha a fé em Yeshua para si mesmo, com muita cautela.

Certo dia, ele decidiu marcar uma reunião urgente com Moishe Rosen, fundador da organização Jews for Jesus (Judeus por Jesus), em São Francisco. A impressão era que Joseph estava sob muito estresse, pois como liderava a sinagoga em Reno, não conseguia compartilhar a sua fé em Yeshua com a congregação. Além disso, ele não tinha certeza do que deveria fazer: pedir demissão ou explicar à congregação sobre Yeshua.

O rabino confessou para Moishe Rosen que, por quase dois anos, ele vinha lutando com aquele mesmo problema, o qual começou a desgastá-lo. Na verdade, ele encontrou alívio — até certo ponto — ao confessar sua fé em Yeshua para outro judeu, tirando, assim, o peso dos ombros. Depois de alguns meses, nos quais Teichman visitou Moishe Rosen, ele começou a entender que tinha o dever de falar sobre a sua fé em Yeshua, como o Messias judeu, aos membros da sinagoga. E ele sabia qual seria o resultado: o término imediato de seu ofício e de sua carreira como rabino; algo que influenciaria não apenas o seu status pessoal, social e financeiro, mas também toda a sua família. Ciente das sanções que poderia sofrer, ele não conseguiu se abrir para os membros da sinagoga. Por causa do medo, manteve sua fé em segredo.

Questionado sobre o que fazia quando as pessoas da sinagoga o procuravam buscando conselhos espirituais, ele respondeu que era inundado por tristeza e angústia, pois sabia que o Messias era o único que poderia resolver seus problemas.

Muito embora tenha mantido sua fé em segredo, ele encontrou meios para falar de Yeshua, o Messias, às ovelhas do seu pastoreio. O rabino Joseph Teichman é um dos muitos exemplos de perseguição que os judeus messiânicos, em Israel e no mundo todo, sofrem às custas de ultra-ortodoxos fanáticos, apenas porque sua fé é diferente. Perseguições desse tipo também existem nos dias de hoje, e podem incluir violência (tanto verbal quanto física), humilhações públicas e até mesmo tentativas de homicídio — tudo isso em nome de D’us e com a aprovação de rabinos.1


Notas

1. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-יוסף-טייכמן/.

Rabino Dr. Kaufmann Kohler

 

Rabino Dr. Kaufmann Kohler

 

Nascimento: Baviera, Alemanha, 1843.
Morte: Nova York, EUA, 1926.

A conferência religiosa que foi realizada em parceria com a Feira de Chicago, em 1893, trouxe consigo representantes de religiões e credos diferentes, de diferentes partes do mundo.Entre eles, havia um grande número de rabinos da Europa e da América.

Um dos palestrantes foi o Dr. Kaufmann Kohler, o expoente do Judaísmo Reformista mais conhecido da época. Em seu discurso, cujo tema era “A Sinagoga e a Igreja”, o rabino apresentou evidências de que o Judaísmo e o Cristianismo possuem muitas semelhantes entre si. Vejamos, a seguir, um trecho de seu discurso no que tange à personalidade de Yeshua:

“Os rabinos cometem um grave erro quando comparam Yeshua de Natséret1 a Rabí Hilel ou a Fílon, o proeminente filósofo judeu de Alexandria. Yeshua não pertencia a nenhuma vertente; ele era ‘um do povo’. Nele, o ideal dos rabinos essênios2 sobre amor e irmandade atingiram um novo patamar.

Assim como Yochanan, o Imersor3,  Yeshua sentia-se atraído, pelo poder do amor divino, aos menos afortunados dentre o seu povo. Uma vez que era cheio de verdadeira grandeza, ele se relacionava tanto com pastores de ovelha quanto com pecadores e cobradores de imposto — justamente aquelas pessoas que os rabinos essênios consideravam uma ameaça, cujo caminho as levaria para o Inferno, e com as quais, portanto, evitavam qualquer tipo de contato, com medo de serem contaminados por elas. Yeshua, por sua vez, comia e bebia com eles, dizendo:

‘Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel’; ‘Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes’; ‘Ai de vós, escribas e fariseus (isto é, os rabinos de então), hipócritas! Porquanto limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de roubo e lascívia’; ‘Bem profetizou Isaías, o profeta, acerca de vós, hipócritas, conforme está escrito: Este povo Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; seu temor para Comigo não passa de um mandamento ensinado por homens’ (cf. Isaías 29:13); ‘Porquanto abandonais os mandamentos de D’us para manter a tradição dos homens’.

Essas são as palavras de um profeta, de um reformador destemido.

Com essa mesma ousadia, fruto de um amor verdadeiro que trazia pecadores de volta a D’us, Yeshua também defendeu uma mulher que, aos olhos dos rabinos, era apenas um instrumento nas mãos de Satán para conduzir o homem ao pecado, rompendo, assim, as amarras que tornava a mulher tão solitária.

Com liberdade de espírito, ele despedaçou os grilhões das ‘leis do Shabat’4,  ao dizer: ‘O Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat’.

Estamos diante do maior pensador de todos; uma personalidade grandiosa, um gênio religioso. Não há – para o nosso povo, de modo geral, e para os líderes judeus, de forma específica – nenhum motivo para odiar o mestre mais humilde e mais admirável de todo Israel.

Não podemos negar que o ideal de vida manifestado nos seguidores de Yeshua é único em termos de excelência e de grandiosidade. Por trás de todos eles, encontra-se uma cativante personalidade do amor e da bondade; uma personalidade mais amada e mais exaltada do que qualquer outra na humanidade: Yeshua. Toda a grandeza do ‘filósofo grego’ e do ‘judeu santo’ está amalgamada, harmoniosamente, naquele que morreu na cruz.

Nenhum padrão de moral, nenhum livro de estudo ou religião consegue causar uma impressão tão profunda como a pessoa de Yeshua, que se posta, como nenhum outro, entre a Terra os portões do Paraíso, igualmente próximo aos homens e a D’us.

Se ele foi o representante ideal da irmandade essênia? Não! Ele foi a materialização da “irmandade” de toda a raça humana. Yeshua – o amparador dos necessitados, amigo dos pecadores, irmão de todos os que sofrem, consolador dos desafortunados, amante da humanidade, libertador da mulher – ganhou e conquistou o coração dos homens.

De que valeu o orgulho filosófico dos sábios e a corrupção religiosa dos rabinos e sacerdotes em um mundo que estava faminto por D’us e sedento pela redenção do pecado e da crueldade? Aquele era o tempo de Yeshua, maduro para uma revolução social – para a Era Messiânica -, quando o soberbo seria humilhado e o humilde, exaltado. Yeshua, o mais modesto de todos os homens, aquele que, como nenhum outro, é execrado pela nação judaica, foi exaltado e assentou-se sobre o ‘trono de glória’ do mundo, tornando-se o rei de toda a Terra”.

Essas foram as palavras de um respeitado doutor e rabino judeu, o qual, diferentemente da grande maioria dos rabinos ortodoxos, decidiu ler a Nova Aliança por si mesmo, apaixonando-se pela pessoa de Yeshua. Em seu discurso, ele desmantelou aquela noção ultrapassada que muitos rabinos tentam atribuir ao Messias judeu, Yeshua.5


Notas

1. viz. Nazaré (נצרת).
2. Confira o livro זיכרון ונשייה: סודן של מגילות מדבר יהודה, da Dra. Rachel Elior, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, bem como suas palestras em vídeo מי כתב את המגילות הגנוזות e מי דחק את מגילות מדבר יהודה לתהום הנשייה ומדוע, ambas publicadas no YouTube, onde ela refuta, de uma vez por todas, a atribuição da comunidade de Qumran — e, por conseguinte, dos Pergaminhos do Deserto da Judeia (viz. Manuscritos do Mar Morto) — aos essênios. Assista, também, à palestra em vídeo היו נשים בחורבת קומראן? על קברים ומגילות, do Dr. Eyal Regel, professor da Universidade Bar-Ilan.
3. viz. João, o Batista (יוחנן המטביל).
4. Note que Yeshua nunca foi contra o Shabat — longe disso! — , mas sim contra as tradições rabínicas, em forma de decretos normativos, que afastavam as pessoas do cerne desse belo mandamento.
5. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-דר-קאופמן/.A conferência religiosa que foi realizada em parceria com a Feira de Chicago, em 1893, trouxe consigo representantes de religiões e credos diferentes, de diferentes partes do mundo.Entre eles, havia um grande número de rabinos da Europa e da América.

Um dos palestrantes foi o Dr. Kaufmann Kohler, o expoente do Judaísmo Reformista mais conhecido da época. Em seu discurso, cujo tema era “A Sinagoga e a Igreja”, o rabino apresentou evidências de que o Judaísmo e o Cristianismo possuem muitas semelhantes entre si. Vejamos, a seguir, um trecho de seu discurso no que tange à personalidade de Yeshua:

“Os rabinos cometem um grave erro quando comparam Yeshua de Natséret1 a Rabí Hilel ou a Fílon, o proeminente filósofo judeu de Alexandria. Yeshua não pertencia a nenhuma vertente; ele era ‘um do povo’. Nele, o ideal dos rabinos essênios2 sobre amor e irmandade atingiram um novo patamar.

Assim como Yochanan, o Imersor3,  Yeshua sentia-se atraído, pelo poder do amor divino, aos menos afortunados dentre o seu povo. Uma vez que era cheio de verdadeira grandeza, ele se relacionava tanto com pastores de ovelha quanto com pecadores e cobradores de imposto — justamente aquelas pessoas que os rabinos essênios consideravam uma ameaça, cujo caminho as levaria para o Inferno, e com as quais, portanto, evitavam qualquer tipo de contato, com medo de serem contaminados por elas. Yeshua, por sua vez, comia e bebia com eles, dizendo:

‘Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel’; ‘Os sãos não precisam de médico, mas sim os doentes’; ‘Ai de vós, escribas e fariseus (isto é, os rabinos de então), hipócritas! Porquanto limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de roubo e lascívia’; ‘Bem profetizou Isaías, o profeta, acerca de vós, hipócritas, conforme está escrito: Este povo Me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim; seu temor para Comigo não passa de um mandamento ensinado por homens’ (cf. Isaías 29:13); ‘Porquanto abandonais os mandamentos de D’us para manter a tradição dos homens’.

Essas são as palavras de um profeta, de um reformador destemido.

Com essa mesma ousadia, fruto de um amor verdadeiro que trazia pecadores de volta a D’us, Yeshua também defendeu uma mulher que, aos olhos dos rabinos, era apenas um instrumento nas mãos de Satán para conduzir o homem ao pecado, rompendo, assim, as amarras que tornava a mulher tão solitária.

Com liberdade de espírito, ele despedaçou os grilhões das ‘leis do Shabat’4,  ao dizer: ‘O Shabat foi feito para o homem, e não o homem para o Shabat’.

Estamos diante do maior pensador de todos; uma personalidade grandiosa, um gênio religioso. Não há – para o nosso povo, de modo geral, e para os líderes judeus, de forma específica – nenhum motivo para odiar o mestre mais humilde e mais admirável de todo Israel.

Não podemos negar que o ideal de vida manifestado nos seguidores de Yeshua é único em termos de excelência e de grandiosidade. Por trás de todos eles, encontra-se uma cativante personalidade do amor e da bondade; uma personalidade mais amada e mais exaltada do que qualquer outra na humanidade: Yeshua. Toda a grandeza do ‘filósofo grego’ e do ‘judeu santo’ está amalgamada, harmoniosamente, naquele que morreu na cruz.

Nenhum padrão de moral, nenhum livro de estudo ou religião consegue causar uma impressão tão profunda como a pessoa de Yeshua, que se posta, como nenhum outro, entre a Terra os portões do Paraíso, igualmente próximo aos homens e a D’us.

Se ele foi o representante ideal da irmandade essênia? Não! Ele foi a materialização da “irmandade” de toda a raça humana. Yeshua – o amparador dos necessitados, amigo dos pecadores, irmão de todos os que sofrem, consolador dos desafortunados, amante da humanidade, libertador da mulher – ganhou e conquistou o coração dos homens.

De que valeu o orgulho filosófico dos sábios e a corrupção religiosa dos rabinos e sacerdotes em um mundo que estava faminto por D’us e sedento pela redenção do pecado e da crueldade? Aquele era o tempo de Yeshua, maduro para uma revolução social – para a Era Messiânica -, quando o soberbo seria humilhado e o humilde, exaltado. Yeshua, o mais modesto de todos os homens, aquele que, como nenhum outro, é execrado pela nação judaica, foi exaltado e assentou-se sobre o ‘trono de glória’ do mundo, tornando-se o rei de toda a Terra”.

Essas foram as palavras de um respeitado doutor e rabino judeu, o qual, diferentemente da grande maioria dos rabinos ortodoxos, decidiu ler a Nova Aliança por si mesmo, apaixonando-se pela pessoa de Yeshua. Em seu discurso, ele desmantelou aquela noção ultrapassada que muitos rabinos tentam atribuir ao Messias judeu, Yeshua.5


Notas

1. viz. Nazaré (נצרת).
2. Confira o livro זיכרון ונשייה: סודן של מגילות מדבר יהודה, da Dra. Rachel Elior, professora da Universidade Hebraica de Jerusalém, bem como suas palestras em vídeo מי כתב את המגילות הגנוזות e מי דחק את מגילות מדבר יהודה לתהום הנשייה ומדוע, ambas publicadas no YouTube, onde ela refuta, de uma vez por todas, a atribuição da comunidade de Qumran — e, por conseguinte, dos Pergaminhos do Deserto da Judeia (viz. Manuscritos do Mar Morto) — aos essênios. Assista, também, à palestra em vídeo היו נשים בחורבת קומראן? על קברים ומגילות, do Dr. Eyal Regel, professor da Universidade Bar-Ilan.
3. viz. João, o Batista (יוחנן המטביל).
4. Note que Yeshua nunca foi contra o Shabat — longe disso! — , mas sim contra as tradições rabínicas, em forma de decretos normativos, que afastavam as pessoas do cerne desse belo mandamento.
5. O texto original hebraico pode ser encontrado em https://igod.co.il/יהודים-משיחיים/עדויות-רבנים/הרב-דר-קאופמן/.